Governo cria pacote nuclear e biotecnológico

O governo federal prepara um pacote na área de ciência e tecnologia, com medidas para os setores de energia nuclear e biotecnologia que devem ser anunciadas entre o fim do ano e o início de 20×4. O abandonado Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) será revigorado, por meio de sua transformação em Organização Social (OS), i o que permitirá estabelecer I metas e recorrer ao financiamento privado. A Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) será criada para regular o setor, que ganhará mais atenção, Todas as medidas já receberam o sinal verde da área técnica do governo e dependem apenas de uma liberação da Casa Civil para serem anunciadas.

Na área de biotecnologia, o grande interesse do governo é impulsionar a produção nacio nal de biofármacos. Quase 44% de todos os gastos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) anualmente com medicamentos são com biofármacos. Na avaliação do governo, tanto a participação de produtos nacionais quanto o volume total devem aumentar a partir de 2015, quando as medidas em gestação tiverem efeito pleno.

As obras para a conclusão da primeira fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) estão a todo vapor, em tempo de serem finalizadas ainda no primeiro trimestre do próximo ano. Vinculada ao Ministério da Saúde, a Hemobrás, instalada em Goiana, no interior de Pernambuco,é uma das apostas do governo para o desenvolvimento de biofármacos.

Desde setembro do ano passa: do quando começou a operar, a Hemobrás já recebeu 585 mil bolsas de plasma, oriundas de hemocentros do País.As inovações devem ser absorvidas pelo poder de compra do SUS. O CBA deverá funcionar como incubadora de empresas da região amazônica, além de fechar contratos com fundos estrangeiros com interesse em desenvolver produtos a partir da biodiversidade local.

O governo quer que o novo CBA funcione como a Embrapa desenvolva produtos e processos que auxiliem o setor privado a ampliar a inovação de produtos. Situada em Manaus, a i CBA deve atender inicialmente à demanda da Zona Franca.

Nuclear. Em outra perna, o governo quer impulsionar a produção de energia nuclear brasileira, de forma a diversificar a matriz energética e também desenvolver tecnologia nova.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) será reestruturada, de forma a atuar mais em pesquisa edesenvolvimento da área e na produção de radiofármacos. A área de regulação e fiscalização da Cnen será transferida para uma nova agência reguladora -a ANSN. Com a agência, o governo espera dirimir os temores em relação ao setor nuclear.

O governo avalia que a “estruturação” do setor nuclear é oportuna, uma vez que as primeiras turmas do curso de graduação em Engenharia Nuclear oferecidopela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão sendo formadas. “Temos pessoal qualificado e um potencial gigantesco para ser aproveitado, mas vamos começar pela área de segurança, com a criação da agência, para fazer tudo com cuidado”, disse uma autoridade da área.

Faz parte da política energética brasileira manter a matriz diversificada e especialmente focada em fontes renováveis.

Ex-ministra de Minas e Energia do governo Lula, a presidente Dilma Rousseff quer impulsionar ainda mais o setor. A área foi deixada de lado por causa do efeito negativo sobre a opinião pública após a catástrofe em Fukushima, no Japão, logo no início de sua gestão, em fevereiro de 2011.

Por isso, o governo está convicto de que, para aumentar a produção de energia nuclear, é preciso começar com a criação da agência reguladora.

Para lembrar

A primeira etapa das obras da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) foi inaugurada em 19 de dezembro de 2011, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A fábrica, que ainda está em construção na cidade de Goiana, no interior de Pernambuco, começou a operar efetivamente em setembro do ano passado.

Com a conclusão das obras, o Brasil deverá se tomar au-tossufíciente na produção de hemoderivados – atualmente, parte do produto é importada.

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